Sônia Café

Essencialmente, eu sou ninguém. Por volta dos 19 anos (1969), quando li pela primeira vez o trecho do poema de Emily Dickinson – “I’m nobody, Who are you? Are you nobody too? Then there’s a pair of us*.” – algo excepcional aconteceu comigo, ou seja, um sentimento profundo de que eu poderia relaxar e gozar a vida. Mas não foi tão simples assim e, desde então, é sempre um grande desafio quando alguém me pede para escrever um pequeno currículo ou coisa parecida.

Aparentemente, depois da minha graduação pela Universidade Federal da Bahia, no que se chamava então Faculdade de Filosofia e Letras, fiz tanta coisa, tanta coisa, tanta coisa que seria entediante mencioná-las todas aqui. E nada do que fiz é mais importante do que perceber a natureza efêmera e frágil da afirmação de que é possível saber alguma coisa; mesmo quando alguém se esforça para garantir isso. Só posso dizer que sempre fui competente na hora de estar onde devo estar, na presença daqueles com quem é para estar, fazendo o que é para ser feito e vivendo o que é para ser vivido. Simples assim, mesmo quando me contradigo ou quando sonhei o contrário disso. E se isso não for suficiente, então nada disso que é, será uma possibilidade colapsada. Aparentemente.

Hoje, só faria uma pequena alteração no poema da Emily: “I’m nobody. Who are you? Are you nobody too? Then, there’s none of us*.” Sorry, Emily.

(*Tradução: Eu sou ninguém. Quem é você? Ninguém também? Então, somos um par. Alteração sublinhada: Eu sou ninguém. Quem é você? Ninguém também? Então, só há ninguém. Desculpe-me, Emily)

Abaixo, o poema completo. Espero não ser banida. Porém, se  for, ser quem sou já é uma vantagem.

 I’m nobody! Who are you?
Are you nobody, too?
Then there’s a pair of us—don’t tell!
They’d banish us, you know.
How dreary to be somebody!     
How public, like a frog
To tell your name the livelong day
To an admiring bog! 

Sônia Café

Entre em contato

Captura de Tela 2015-05-31 às 20.47.47

Ao enviar seus dados e suas questões, você está manifestando sua intenção de ser ouvido. E ouvi-lo é o mais importante. Ser à escuta do Ser.

Facebook

Onde estou

logo44

Rua Ana Catharina Randi, 44 São Paulo, Capital, CEP 04637-130. Telefone: (11) 5044 1121

Voltar para o Topo
Enter your Infotext or Widgets here...